Arquivos de setembro/2009
Algodão orgânico – qual a diferença?
Para muitas pessoas moda sustentável se resume a uma coisa: algodão orgânico. E é compreensível, visto que o algodão é a matéria-prima têxtil mais utilizada e a maior parte das iniciativas ecológicas envolve esse material. Mas você sabe qual a diferença que certificação orgânica faz?
Basicamente, o algodão orgânico não pode ser transgênico, deve ser cultivado sem agrotóxicos e fertilizantes sintéticos, e proporcionar condições de trabalho saudáveis para trabalhadores dignamente remunerados. Quer mais detalhes? Continue lendo.

O algodão convencional
A cultura convencional de algodão é uma das mais agressivas ao ambiente: ela ocupa 3% da área cultivável com uma monocultura intensiva e consome 25% de toda a quantidade de inseticidas usada na agricultura no mundo. E esses produtos contaminam o solo, a água e as pessoas – muitos trabalhadores rurais não têm a proteção adequada para lidar com esse tipo de material, o que pode levar a doenças e até mesmo morte por intoxicação.
Além disso, há muitas lavouras que utilizam sementes geneticamente modificadas. Elas prometem uma planta com mais fibras e maior resistência a pragas, mas oferecem um grande risco à diversidade das espécies e são apenas um paliativo, dada a assustadora probabilidade de os insetos criarem resistência aos químicos.
O algodão orgânico
O algodão orgânico propõe corrigir essas ameaças ao ambiente e à sociedade. Ele pretende ser um produto limpo, não só por não contaminar o ambiente, mas também por não utilizar mão de obra explorada. E isso se percebe em todo o processo de cultivo dele:
Primeiramente, as áreas de cultivo passam pela rotação de culturas. Isso quer dizer que o plantio do algodão naquele lugar é alternado com outro vegetal no ano seguinte, o que é extremamente importante para preservar a saúde do solo, pois cada espécie vegetal tem necessidades e benefícios diferentes. Mantendo a saúde da terra por esse meio natural, já se descarta a necessidade de fertilizantes sintéticos. Além disso, o solo saudável – cheio de matéria orgânica – consegue reter muito mais água, o que diminui a necessidade de irrigações, racionalizando o uso de água no processo.
As sementes utilizadas não são geneticamente modificadas ou tratadas com pesticidas. Aliás, agrotóxicos são completamente eliminados no processo. As ervas indesejadas são retiradas manualmente e os ataques de insetos são controlados ou pela introdução de uma espécie predatória benéfica, ou pelo cultivo de outras plantas que “tiram a atenção” da lavoura de algodão.
A certificação orgânica do produto também garante que todos os trabalhadores envolvidos no processo tiveram condições de trabalho adequadas, jornadas controladas, e pagamento justo pelo serviço realizado. Tudo isso porque o produto orgânico não é só ecológico, e sim sustentável.
Eficiência real
O cultivo orgânico do algodão é um procedimento sustentável, mas não é um fator único ao se atribuir o caráter ecológico a uma roupa. O transporte, a manufatura e o uso dessa roupa podem descompensar os benefícios da matéria-prima.
O ideal é que o algodão seja cultivado localmente. A importação ou mesmo transporte entre longas distâncias é responsável por altas emissões de carbono, o que anula parte do benefício ambiental conseguido no cultivo.
Outro problema é o tigimento do tecido, geralmente feito com corantes sintéticos, envolvendo substâncias químicas contaminantes e alto gasto de água. Hoje já estão se desenvolvendo corantes naturais eficientes e processos menos nocivos, mas estes ainda são pouco utilizados.
E, finalmente, o impacto do uso: quantas vezes essa roupa será lavada e com quais produtos; qual a energia gasta no lavar e passar. Se o usuário não fizer boas escolhas na manutenção de suas roupas, o impacto ambiental novamente pesa contrário aos benefícios dos orgânicos.
Vale a pena?
Vale sim, como todos os orgânicos. A certificação é bastante rígida e garante benefícios ambientais e sociais. Talvez aida seja difícil encontrar produtos atraentes desse material ou com um preço razoável, mas a diferença entre o orgânico e o convencional é tão grande que, com o tempo, o orgânico será cada vez mais comum.
ThredUP – um novo conceito de brechó
Todo mundo tem algumas roupas paradas no armário. Não seria ótimo poder trocar as peças que não gostamos mais por outras mais interessantes? É isso que o thredUP propõe, e eles garantem: sem complicação.
Cadastrando-se no site, você diz de quais peças está disposto a se desfazer – não precisa nem tirar foto, só informar tamanho, marca, cor. O site vai se encarregar de descobrir o novo dono ideal para esse item. Isso porque, baseado na suas informações, ele sugere items disponibilizados por outras pessoas.
Só que a sugestão é um pouco forçada: como não tem foto, você não escolhe. A roupa que eles consideram ideal é enviada diretamente para seu endereço; se gostar, fica, se não gostar manda de volta. Apesar de ser realmente melhor provar a roupa antes de aceitá-la, acredito que seja uma estratégia da empresa para fechar negócios – afinal, quantas pessoas não vão ficar com uma peça que nem gostaram tanto só para evitar o trabalho ou mesmo o constrangimento de devolver?
E no fim das contas, esse brechó não é tão eco assim. Comprar usado é melhor para o ambiente, mas tantas idas e vindas de pacotes de roupa acaba emitindo muito carbono.
Os vários jeitos de ser ecológico
Quer ajudar o planeta e continuar se vestindo bem? Várias atitudes podem contribuir para a preservação de recursos sem comprometer sua elegância.
Cuidar bem do que você já tem
Dizem que a roupa mais sustentável é aquela que a gente já tem – porque o melhor jeito de poupar recursos é simplesmente evitar produzir mais. Então, o cuidado na manutenção das roupas é fundamental: quanto mais conservada uma peça, mais longa a vida útil dela e menos peças serão produzidas e compradas para substituí-la.
Comprar usado seminovo
Seguindo o pensamento acima, os brechós podem ser grandes aliados! É uma roupa nova para você, mas “já conhecida” para o ambiente. Só não pode ter preconceito! Sabendo em qual brechó procurar, dá para encontrar peças que fazem o seu estilo e que nem estão tão usadas assim.
Preferir qualidade e não quantidade
Ainda nesse pensamento: vale mais a pena gastar uma quantia razoável numa peça com bom material, corte e acabamento, do que o mesmo valor em três outras peças de menor qualidade – que você vai usar poucas vezes e já vai descosturar, entortar e encher de bolinha.
Compor um guarda-roupa básico atemporal
Tendências vão e voltam, mas algumas peças são atemporais. Um jeans bem cortado, uma camisa branca, um vestidinho preto… Eles nunca vão fazer feio e podem ser facilmente atualizados com outros elementos que estão em alta na estação. Invista nessas peças-chave para manter um guarda-roupa duradouro e eficiente. E se cair na tentação de alguma tendência, não tem problema: uma peça ou outra, para se sentir mais atual, não faz mal. Mas só algumas! A rotatividade de peças será bem menor.
Optar por matéria-prima natural e orgânica
Fibras sintética, como o nylon e acrílico, são derivadas do petróleo - uma fonte esgotável – e passam por processos industriais poluentes. Ao optar por materiais naturais, como o algodão, você conta com uma fonte renovável de matéria-prima. Mas é importante a certificação de material orgânico para garantir que houve uso racional de água e a produção foi livre de agrotóxicos.