Arquivos de novembro/2009

30
nov
2009

Elegância é atemporal


Já falamos que as tendências têm seu papel na moda. Que é natural querer pertencer ao tempo de hoje, e expressar isso no vestir. Mas uma coisa nunca sai de moda: a elegância.

Coco Chanel - "A moda passa, o estilo permanece"

“A moda passa, o estilo permanece.”

Coco Chanel

Elegância é graça, delicadeza, educação, bom gosto. É acima de tudo comportamento, mas – assim como a nossa personalidade – transparece no que se veste. E do mesm modo que a atitude elegante é sempre apreciada, as roupas que carregam essa informação jamais ficarão datadas.

Por isso, investir em modelos atemporais – em peças de boa qualidade! – garante um guarda-roupa coeso e duradouro, que pode ser facilmente atualizado combinado com peças da estação. É a construção inteligente do nosso acervo de moda.

Uma boa dica para identificar essas peças atemporais é pensar num ícone de elegância e destacar os elementos associados a essa imagem. Por exemplo, o colar de pérolas – o longo de Chanel, ou o curtinho de Jackie O. – nunca vai fazer feio. Só o jeito de usar muda, para permitir a atualização e a personalização.

No futuro, mais posts virão, dedicados a cada uma dessas mulheres inspiradoras. Quem você gostaria de ver aqui? Já escrevemos sobre:

26
nov
2009

Slow Fashion


Quantas vezes você disse, ou ouviu alguém dizer que “não tem tempo pra isso”?  Estamos correndo o tempo todo, tentando conciliar trabalho, estudos, casa, família, amigos… Sem perceber que o segredo para ter mais tempo pode ser simplesmente desacelerar. Parece contraditório, mas é só uma questão de priorizar e pensar. É isso que propõe o movimento slow, que começou na comida e já chegou à moda.

Slow fashion é, de fato, oposto ao Fast Fashion. É aprender a comprar consciente e aproveitar o que merece, pelo tempo que merece.

preguicinha curtindo a maciezPreguicinha curtindo a maciez. ;)
Fast Fashion

Alguns se referem ao Fast Fashion como democratização do estilo. Não é. No máximo, é democratização das tendências e, por isso, massificação do estilo. É a moda na sua forma mais descartável: barata, de baixa qualidade, e visualmente datada.

E por que é barato? Porque a qualidade do material é baixa. Porque as peças são produzidas em grande quantidade. Porque são costuradas na China por mulheres que recebem poucos centavos por muitas horas de trabalho. Concordo que as roupas “sustentáveis” de hoje são meio superfaturadas, mas mesmo quando elas se popularizarem no futuro, continuarão sendo mais caras. Porque não tem como sair com esse preço fazendo as coisas do jeito certo!

Slow fashion

O Slow Fashion se opõe a tudo isso. É a qualidade sobre a quantidade, a consciência sobre a alienação. É pensar a moda como um todo, levando em conta nossa individualidade, o ciclo de vida das roupas, e o impacto das nossas escolhas. Mas e na prática, no que consiste o Slow Fashion? Olha só:

Atemporalidade. A crítica maior é ao ritmo alucinado da moda, “resetada” a cada estação. As tendências têm seu lado positivo e a atualização é uma necessidade, mas elegância é atemporal. As pérolas nunca saíram dos pescoços elegantes, mas as ombreiras foram rechaçadas por duas décadas até “voltarem” recentemente – e quem duvida que os Balmains de 2009 serão repudiados na próxima década? Opte por modelos que você não vai ter vergonha de usar no ano que vem.

Qualidade. Requisito indispensável ao pensar na durabilidade de uma peça, e se aplica a tudo: material, modelagem, acabamento… Afinal, quem consegue usar por muito tempo uma peça torta, descosturada ou cheia de bolinhas? Mas é claro que temos que fazer nossa parte fazendo uma boa manutenção!

Uso de materiais naturais e orgânicos. É a consciência do impacto ambiental e social que poderia ser evitado ao optar por um material de boa origem. Matéria-prima natural é renovável, dura mais, veste melhor, deixa a pele respirar. E a certificação orgânica garante que os processos utilizados foram limpos e os trabalhadores, respeitados.

Relações de trabalho justas. Parte do princípio que todos os envolvidos na produção de uma roupa devem ser valorizados. O estilista criador tem todos os seus méritos – assim como o agricultor que plantou o algodão e a costureira que montou a peça. Logo, os 3 merecem condições de trabalho e salários dignos. É o lado da sustentabilidade que vai além do ambiental. Por isso defende-se também a produção local: nada de importar meterial e mão-de-obra! Vamos contribuir para o desenvolvimento da nossa própria região.

Valorização do artesanal. Além de remeter diretamente à valorização do trabalhador, o artesanal tem o fator de exclusividade: foi feito com calma e carinho, só para você – o oposto das milhares de peças idênticas que saem a cada hora das máquinas das confecções. É a oportunidade de fugir da massificação, e comprar uma peça com carga emocional e significado muito maior.

E os preços?

Como eu disse antes, a moda ética jamais conseguirá competir em preço com quem lucra em cima de quantidades massivas, redução de qualidade e trabalhadores mal pagos. O que vai contar é a consciência e a coerência de cada um: não faz sentido querer comprar com certificação orgânica e de fair trade e esquecer que o volume de consumo também faz toda a diferença.

Partindo desse princípio, tudo fica lógico. Quando paramos de comprar muito e o tempo todo, sobra dinheiro para investir numa peça de boa qualidade.

E essa lógica serve para a vida inteira. Se consumíssemos menos, as empresas produziriam menos, e poderíamos todos trabalhar menos. Imagina só, reduzir 2 horinhas de trabalho diárias e poder almoçar com calma em casa, curtir um passeio de bicicleta, um tempo de qualidade com a família… Trabalhando menos o salário reduz? Talvez, mas não é problema quando se consome menos. Parece ideal, né? Então por que insistimos em fazer o caminho inverso? :(

24
nov
2009

Satisfação x Posse: O sistema Produto + Serviço na moda


Apesar de ser um conceito ainda desconhecido pela maioria das pessoas, o PSS – Product Service System (Sistema Produto-Serviço) – se mostra uma alternativa sustentável ao consumo regular, e está mais presente e acessível do que se imagina, inclusive na moda. O PSS é uma mudança de estratégia já adotada por várias empresas que buscaram oferecer aos clientes mais do que a simples venda do produto. No caso, o produto está sempre associado a um (ou mais) serviço(s) e o valor se concentra na satisfação de uso, e não mais na posse do objeto.

Essa relação pode se dar em vários níveis, variando a importância do produto em relação ao serviço, e vice-versa. Um bom exemplo disso acontecendo na moda são os recentes aluguéis de roupas e bolsas de grifes famosas. Não se compra um produto, e sim o serviço; a satisfação não depende mais do “ter” a roupa de marca, mas do “usar”.

hermes louis vuitton chanel gucci

Hermès, Louis Vuitton, Chanel, Gucci… Pioneira no Brasil, a FeelChic oferece acessórios de luxo para aluguel. Lá fora, Empresas como a Bag Borrow Steal e a Rent the Runway fazem sucesso.

Afinal, qual a real importância das roupas do lado de dentro do armário? Nenhuma. A moda depende do corpo, do olhar da própria pessoa e dos outros. São as sensações que realmente importam: prestigiar uma marca que se admira, se sentir bonita, se sentir adequada à situação, receber olhares e elogios, despertar reações de quem está ao redor. Não importa se é esse vestido ou o outro se a satisfação for a mesma.

Alugar em vez de comprar é bom para o ambiente porque uma só peça atende a muitas mulheres. É bom para a mulher, que tem mais possibilidades e acesso à roupas de grife. Mas será que estamos preparados para esse desapego? Repensar o verdadeiro valor da “posse” é o caminho para uma (necessária!) mudança nos hábitos de consumo.

 

 

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cor · de · cravo

Você abre a carteira para novos produtos. Por que não abrir a cabeça para novas idéias? Informação é tudo o que a gente precisa para quebrar preconceitos. E a missão desse blog é mostrar que sustentabilidade não precisa ser chata e moda não precisa ser superficial.

Cor-de-cravo é o outro lado da história, muito além do cor-de rosa...

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