Arquivos de fevereiro/2010
Canarinho agora é verde

O jogador Alexandre Pato desfilou em Londres o novo modelo da camisa da Seleção brasileira. Algumas novidades podem ser notadas nos detalhes, mas a principal mudança foi estrutural: o tradicional tecido Dri-FIT da Nike apareceu numa versão eco, feita com garrafas PET recicladas. Segundo a empresa, cerca de 8 garrafas são recicladas para a confecção de cada camisa, e o processo economiza 30% de energia comparado ao poliéster virgem.
A camisa canarinho conta com uma malha dupla e uma modelagem mais ajustada ao corpo. Esse novo projeto possibilitou um aumento de 10% na elasticidade e uma redução de 15% no peso do uniforme, o que parece pouco, mas faz diferença na agilidade e na liberdade de movimento dos jogadores.
E dessa vez, a camisa oficial não ficará restrita aos profisionais da bola – os torcedores poderão encontrá-las nas lojas para sair desfilando sua paixão ecologicamente correta.
Lã: ética ou não?
Nenhuma fibra sintética consegue alcançar a qualidade da lã natural. Mas, como acontece com todo produto de origem animal, há discussões sobre até que ponto é correto aproveitar esse atributo dos bichos.
Os vegans são contra o uso de lã baseando-se no argumento da crueldade animal – dizem que a tosquia é agressiva e provoca ferimentos, que em regiões de clima inadequado muitos animais desidratam no calor ou morrem de frio após a tosa, que as ovelhas são manipuladas para produzirem mais lã e de qualidade diferente da natural. Mas pensando assim, a alfacinha do almoço pode ter vindo de uma daquelas fazendas que colocam lâmpadas noturnas sobre cada pé, para forçar a fotossíntese e o desenvolvimento acelerado da pobre planta. Polêmicas à parte, os dois argumentos (extremos) anteriores se referem a maus produtores, não a maus produtos. Por isso é importante conhecer a origem do que se compra.
É possível fazer um manejo adequado dos rebanhos e retirar a lã sem agredir os animais. Aliás, o bem-estar da criação é uma das exigências da pecuária orgânica, que já está acontecendo em muitos lugares. Uma iniciativa famosa é a da marca holandesa Flocks. Cada peça de roupa e decoração é feita com a lã de uma única ovelha e acompanha uma etiqueta com todas as informações do animal – raça, nacionalidade, foto… Já dá para sentir que esse bichinho foi bem tratado, não é?
Produto e etiqueta da Flocks – para saber de onde veio.
Do ponto de vista ambiental, criações animais tradicionais são sempre problemáticas. Mas a criação orgânica consegue reduzir o impacto, pois se preocupa com a manutenção do solo, não utiliza antibióticos e pesticidas agressivos, e racionaliza o consumo de água e energia (assim como a agricultura orgânica). Tudo volta (sempre!) àquela questão da origem.
A incrível propriedade da lã de nos manter quentinhos também dispensa o uso dos aquecedores de ambiente, acusados de contribuir para o aquecimento global. Outro ponto positivo é que, como o animal não é morto para a retirada do material, ele se torna uma fonte renovável. E além de tudo, roupas de lã animal duram muuuito mais do que as de lã acrílica, a mais comum por aqui.
Mas recentemente o PETA reavivou a discussão com a campanha Have a heart, dont buy wool (tenha coração, não compre lã), buscando o boicote da lã australiana alegando que “os animais se tornam fábricas vivas de lã e têm negado tudo o que é natural e importante para eles”. Os fazendeiros locais reagiram dizendo que quando se paga $155 numa ovelha, dificilmente ela será abandonada sem cuidados, que eles são os principais interessados no bem estar do animal, entre outras coisas.
E esse debate sobre o quão ética a lã pode ser está longe de acabar. Na falta de um consenso, informe-se para poder se posicionar: se se sentir bem, use; se não, não use.
A Dama mandou parar de comprar
Vivienne Westwood é um das grandes ativistas ambientais do mundo da moda. Já fez muito barulho, desfilou coleções carregadas de ideologia e, recentemente, ao apoiar a campanha de combate ao aquecimento global da prefeitura de Londres, a dama declarou na TV britânica que deveríamos todos parar de comprar.

“Todos nós temos um papel a desempenhar e se você se comprometer com a vida, vai adquirir novos valores, descer da esteira do consumo e começar a pensar, e são esses grandes pensadores que salvarão o planeta.”
Vivienne Westwood
Ela diz que devemos desacelerar em nome do planeta e não comprar novas roupas, a não ser em caso de extrema necessidade – e nesses casos, optar pela qualidade, com peças que resistam ao tempo e não lotem os aterros após poucos meses de uso.
Há quem julgue esse ativismo como hipocrisia de uma das grandes da indústria da moda, mas Vivienne utiliza sua forte (e única!) imagem em prol do ambiente para mostrar que é sempre tempo de se conscientizar e mudar atitudes.
