Glove Love – uma segunda chance às luvas solitárias
Soa estranho, mas acontece. Às vezes, por descuido, acabamos perdendo uma luva do nosso par. Um acidente de lavanderia, um deslize no ônibus, uma mala arrumada às pressas… Casualidade ou oportunidade? – pois parece que fogem espontaneamente, de tão improvável a tarefa de se desfazer de apenas uma.
Mas o que será da luva sem seu par? Viúvas ou desquitadas, nunca foram bem vistas. São condenadas ao ostracismo, no fundo da gaveta. Isso quando não são prontamente descartadas, para que a perturbadora imagem da solidão não incomode àqueles que estão acostumado ao rigor de suas duas mãos, tão simétricas e coordenadas.
Pois é hora de deixar essa hipocrisia de lado. Todas as luvas solitárias merecem uma segunda chance. Elas ainda têm tanto calor a oferecer – por que privá-las de encontrar a harmonia com alguma que, assim como ela, um dia pertenceu a outro par?
Que choquem-se os conservadores! Esse é o momento de quebrar a convenção. Uma mão envolvida numa cor, outra mão noutra – qual o problema? Apesar de companheiras, ainda não são independentes? Antes de cobiçar a assimetria que este ou aquele estilista desfilou na temporada, admiremos as pequenas assimetrias do dia a dia, aquelas ao nosso alcance, que dão um pouco mais de graça ao cotidiano.
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