Palavra-chave: ‘responsabilidade’

03
mar
2010

Como será a indústria da moda em 2025?


Um relatório sacudiu o mundo da moda sustentável na última semana: o Fashion Futures, uma parceria entre o Forum of the Future e a Levi Strauss & Co., estimula as empresas a se unirem e encararem o desafio do desenvolvimento sustentável pensando num futuro mais positivo. Pois sim, é possível ter sucesso numa economia que respeita as pessoas e o planeta.

“Para a indústria da moda ser economicamente sustentável, ela precisa ser também socialmente e ambientalmente sustentável.”

John Anderson, Presidente da Levi Strauss & Co.

O projeto visa orientar a trilhonária indústria da moda para a possível realidade de 2025 – mudanças climáticas, escassez de recursos, avanços tecnológicos, e outros desafios que já tomam forma hoje, e estarão plenamente desenvolvidos daqui a 15 anos.

Veja abaixo as simulações dos quatro possíveis cenários de 2025:

Slow is Beautiful

Slow is Beautiful from Alex Johnson on Vimeo.

Um mundo ideal, com colaboração política e comercial. Slow fashion em alta, empresas competindo por suas credenciais sustentáveis, influência marcante das mudanças climáticas. As pessoas têm menos roupas e de mais qualidade, muitas vezes de segunda mão (compradas e vendidas online!). Também são populares as “roupas inteligentes”, que monitoram a saúde do usuário. O Japão é o especialista em reaproveitamento de roupas do mundo todo.

Comunity Couture

Community Couture from Alex Johnson on Vimeo.

Comunidades autossuficientes lutam contra o impacto do aquecimento global e a escassez de recursos. Apenas os ricos podem ter roupas novas e as fábricas que ainda utilizam matéria-prima virgem são protegidas por grupos armados. A população aluga roupas como em bibliotecas, ou fazem suas próprias peças recicladas. Nada é jogado fora.

Techno-chic

Techno-Chic from Alex Johnson on Vimeo.

Essa realidade próspera é resultado do alto investimento em tecnologia e mudança precoce para uma economia de baixas emissões de carbono. As pessoas podem provar roupas virtualmente com os scanners 3D. Módulos de vestimenta são fabricados na China e personalizados nas lojas para cada comprador. A última moda é a roupa “camaleão”, resultado de pesquisas militares, que muda de cor e formato para acompanhar a tendência do momento.  Tudo é projetado para ser biodegradável ou reutilizado.

Patchwork Planet

Patchwork Planet from Alex Johnson on Vimeo.

Nessa realidade, o mundo está dividido em blocos competitivos, com mudanças velozes na moda inspiradas pela cultura e religião. Roupas ocidentais são proibidas no Oriente Médio. A escassez de recursos levou à inovação: as roupas de celulose bacteriana crescem como se fossem vivas, e as peças comestíveis são tendência na Europa. As roupas são projetadas com aberturas, zíperes e amarrações que permitem muitos looks com uma só peça e podem ser atualizadas conforme a tendência local.

Qual cenário nós queremos para o futuro?

26
fev
2010

Canarinho agora é verde


O jogador Alexandre Pato desfilou em Londres o novo modelo da camisa da Seleção brasileira. Algumas novidades podem ser notadas nos detalhes, mas a principal mudança foi estrutural: o tradicional tecido Dri-FIT da Nike apareceu numa versão eco, feita com garrafas PET recicladas. Segundo a empresa, cerca de 8 garrafas são recicladas para a confecção de cada camisa, e o processo economiza 30% de energia comparado ao poliéster virgem.

A camisa canarinho conta com uma malha dupla e uma modelagem mais ajustada ao corpo. Esse novo projeto possibilitou um aumento de 10% na elasticidade e uma redução de 15% no peso do uniforme, o que parece pouco, mas faz diferença na agilidade e na liberdade de movimento dos jogadores.

E dessa vez, a camisa oficial não ficará restrita aos profisionais da bola – os torcedores poderão encontrá-las nas lojas para sair desfilando sua paixão ecologicamente correta.

25
fev
2010

Lã: ética ou não?


Nenhuma fibra sintética consegue alcançar a qualidade da lã natural. Mas, como acontece com todo produto de origem animal, há discussões sobre até que ponto é correto aproveitar esse atributo dos bichos.

Lã animal - certo ou errado? usar ou não?

Os vegans são contra o uso de lã baseando-se no argumento da crueldade animal – dizem que a tosquia é agressiva e provoca ferimentos, que em regiões de clima inadequado muitos animais desidratam no calor ou morrem de frio após a tosa, que as ovelhas são manipuladas para produzirem mais lã e de qualidade diferente da natural. Mas pensando assim, a alfacinha do almoço pode ter vindo de uma daquelas fazendas que colocam lâmpadas noturnas sobre cada pé, para forçar a fotossíntese e o desenvolvimento acelerado da pobre planta. Polêmicas à parte, os dois argumentos (extremos) anteriores se referem a maus produtores, não a maus produtos. Por isso é importante conhecer a origem do que se compra.

É possível fazer um manejo adequado dos rebanhos e retirar a lã sem agredir os animais. Aliás, o bem-estar da criação é uma das exigências da pecuária orgânica, que já está acontecendo em muitos lugares. Uma iniciativa famosa é a da marca holandesa Flocks. Cada peça de roupa e decoração é feita com a lã de uma única ovelha e acompanha uma etiqueta com todas as informações do animal – raça, nacionalidade, foto… Já dá para sentir que esse bichinho foi bem tratado, não é?

Flocks - etiqueta com informações do animalProduto e etiqueta da Flocks – para saber de onde veio.

Do ponto de vista ambiental, criações animais tradicionais são sempre problemáticas. Mas a criação orgânica consegue reduzir o impacto, pois se preocupa com a manutenção do solo, não utiliza antibióticos e pesticidas agressivos, e racionaliza o consumo de água e energia (assim como a agricultura orgânica). Tudo volta (sempre!) àquela questão da origem.

A incrível  propriedade da lã de nos manter quentinhos também dispensa o uso dos aquecedores de ambiente, acusados de contribuir para o aquecimento global. Outro ponto positivo é que, como o animal não é morto para a retirada do material, ele se torna uma fonte renovável.  E além de tudo, roupas de lã animal duram muuuito mais do que as de lã acrílica, a mais comum por aqui.

Mas recentemente o PETA reavivou a discussão com a campanha Have a heart, dont buy wool (tenha coração, não compre lã), buscando o boicote da lã australiana alegando que “os animais se tornam fábricas vivas de lã e têm negado tudo o que é natural e importante para eles”. Os fazendeiros locais reagiram dizendo que quando se paga $155 numa ovelha, dificilmente ela será abandonada sem cuidados, que eles são os principais interessados no bem estar do animal, entre outras coisas.

E esse debate sobre o quão ética a lã pode ser está longe de acabar. Na falta de um consenso, informe-se para poder se posicionar: se se sentir bem, use; se não, não use.

 

 

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cor · de · cravo

Você abre a carteira para novos produtos. Por que não abrir a cabeça para novas idéias? Informação é tudo o que a gente precisa para quebrar preconceitos. E a missão desse blog é mostrar que sustentabilidade não precisa ser chata e moda não precisa ser superficial.

Cor-de-cravo é o outro lado da história, muito além do cor-de rosa...

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